Ecos de Casa: Uma Jornada de Volta ao Brasil ‘24

Em 2010, minha vida deu uma guinada significativa quando voltei para os Estados Unidos antes de concluir a 8ª série. A decisão, impulsionada pelo desejo do meu pai de que tivéssemos uma educação americana no ensino médio, marcou o início de um capítulo transformador em minha vida.

Ao longo da última década, viver nos Estados Unidos foi uma tapeçaria de experiências diversas, tanto pessoais, quanto profissionais. De viagens rodoviárias, passeios de barco e vôos internacionais; a trabalhar em diversas indústrias, desde ser bartender, até colaborar com os serviços financeiros da BMW BR e diversos empregos intermediários; cada empreendimento, acompanhado das conexões que fiz ao longo do caminho, contribuiu para moldar minha identidade.

Uma conquista destacada durante meu tempo nos EUA foi a formatura com especialização em Cannabis Executiva na Cleveland School of Cannabis. Este campo de estudo único, muitas vezes considerado um “caminho de carreira não convencional”, surpreendeu aqueles ao meu redor, inclusive a mim. No entanto, a vida muitas vezes nos lança ao desconhecido, e temos a escolha de nos adaptar ou recuar. Nem sempre, mas geralmente, escolho me adaptar.

Ao contrário do meu percurso profissional, o retorno ao Brasil, embora drástico, não surpreende ninguém. Aqueles que me conhecem atestarão que, apesar de aprender a amar onde estou, independentemente da geografia, uma parte do meu coração ainda está no Brasil. Continuamente lembro-me de que há uma parte da minha identidade ainda inexplorada, assim como para muitos. Com cada nova conexão, meu coração ganha mais do que posso expressar, mas deixo um pedaço de mim para trás.

Uma visita recente à família em São Paulo, despertou meu desejo de explorar a riqueza inexplorada da cidade, inspirando-me a mergulhar na cultura local, na arte, na natureza e, é claro, na renomada culinária brasileira.

Enquanto me preparo para a mudança em 2024, não posso deixar de me perguntar para onde essa jornada me levará e quais desafios posso encontrar pelo caminho. Preocupações sobre transições culturais, a aceitação do meu diploma especializado e o estigma em torno da indústria da Cannabis no Brasil são desafios que antecipo. Depois de ter sido independente e privado na última década, reconheço a mudança para uma cultura em que as pessoas tendem a se importar mais profundamente, e as fofocas são prevalentes, especialmente quando cercado pela família. Essa adaptação cultural serve como um lembrete da importância de navegar nas expectativas sociais enquanto permaneço fiel aos meus valores pessoais e profissionais.

Em São Paulo, meu foco se voltará para a família e o cultivo de conexões significativas. Espero alimentar minha paixão por viagens e embarcar em novas aventuras, compartilhando parte da minha jornada com você. Para mim, isso não é apenas uma mudança física, mas, um retorno simbólico à mim mesmo, uma redescoberta de aspectos que podem ter ficado adormecidos durante o conforto da familiaridade.

O conforto, embora nutridor, às vezes pode impedir o crescimento. Assim, a decisão de ultrapassar minha zona de conforto é um passo intencional em direção à expansão pessoal e profissional. São Paulo chama como uma tela onde posso pintar um novo capítulo, mesclando as lições aprendidas nos Estados Unidos com a vivacidade da cultura brasileira.

Ao embarcar nesta jornada, o objetivo é claro: redescobrir, reconectar e crescer. São Paulo, com sua energia dinâmica e fascínio cultural, aguarda como pano de fundo para um renascimento pessoal.

Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, SP.
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